Outra surpresa positiva é o fato de que Bash (Dalmar Abuzeid) continuou a ser parte fundamental no seriado. Sua história começou na segunda temporada, quando ele evoluiu de muitas maneiras, passando de minerador para fazendeiro ao lado de Gilbert, com quem criou um laço importante e essencial para a série — e que nunca fugiu de debates importantes ou de explorar assuntos complicados. Anne With an E acontece no final do século XIX, e apesar da escravidão já ter sido abolida na época, pessoas negras ainda eram excluídas e marginalizada pela sociedade. E é justamente por isso que a trajetória de Bash é tão necessária. Homem negro, ambicioso e consciente do peso que a escravidão deixou em sua vida, ele constrói aos poucos uma vida melhor para si ao lado de Mary (Cara Ricketts) e sua filha recém-nascida, Delphine. A terceira temporada, no entanto, não foi fácil para ele. Entre perdas e uma necessidade urgente de se encaixar em Avonlea, Bash precisa reavaliar a relação com sua mãe, uma mulher dura e rígida que, na verdade, teve uma experiência completamente diferente na vida do que ele.
Sua posição é sempre distante com o filho, porque ela vê muito do seu marido em Bash. Esse seria ótimo, se ele não tivesse sido enforcado por ser ambicioso e querer uma vida melhor para sua família. Sua mãe diz que os homens brancos não querem que pessoas negras tenham qualquer coisa boa e, ao ver que seu primogênito tinha as mesmas características que mataram o pai, ela tenta dar uma educação diferente para ele, algo que nem sempre funciona e termina por afastar os dois. Quando ela precisa morar com Bash, que perde Mary para uma doença irreversível, um debate é inevitável e as consequências do racismo são tão palpáveis ali como sempre foram na vida Bash. A única diferença é que ambos carregam sua dor de formas diferentes, criando um debate que é pontual e necessário.
As consequências da escravidão ainda estão presentes na nossa sociedade e vão ficar para sempre. Naquela época, era ainda pior. É por isso que, ao abordar um período histórico como o final do século XIX, não basta apenas fazer um ou dois episódios falando sobre isso e depois esquecer qualquer discussão. Por sorte, Anne With an E entende isso e não tem preguiça de ir cada vez mais fundo no assunto.
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